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A nossa amiga Isabel
Por Alda Ribeiro (Professora), em 2012/02/13572 leram | 1 comentários | 143 gostam
Da turma B, do 4º ano, da EB1/JI de Santa Luzia recebemos este texto coletivo para publicação
A nossa amiga Isabel
(Uma história de solidariedade)

Isabel vivia na rua da nossa escola, não sabemos há quanto tempo.
Todos os dias, quando saíamos da escola, lá estava ela à espera que lhe dessem uma esmola.
Era, de certeza, mais nova que aquilo que aparentava. O rosto estava coberto de rugas, o olhar azul era triste e cansado. O cabelo, quase todo branco, não via água nem pente há já muito tempo. As roupas eram rasgadas e sujas.
O aspeto era tão repugnante que todos se desviavam.
Cansados de ver este cenário, e depois de termos visto a Isabel procurar comida no caixote do lixo, resolvemos juntar a turma para procurar uma solução para este problema.
A Beatriz, que é a delegada de turma, convocou os colegas para se reunirem no intervalo.
- Já viram a sem-abrigo que está à porta da nossa escola?- perguntou.
- Já vi e acho que devemos ajudá-la - respondeu o Mário.
- Como?- perguntou a Carolina.
- Podemos dar-lhe parte do nosso lanche - sugere o Pedro.
- E isso resolve o problema? Ela também não tem casa, nem roupa...- contrapõe o Bruno.
- Podíamos fazer uma campanha - acrescenta o Leandro.
- Isso, recolhíamos coisas de que já não precisássemos...- diz a Fátima.
- Pois, e vendíamos para angariar dinheiro - refere a Mafalda.
- E com esse dinheiro colocávamos a Isabel num lar - gritaram todos em coro.
- Concordo com tudo. Mas, antes, devemos perguntar à Isabel se ela quer ser ajudada - disse a Joana, sempre ajuizada.
Então, decidiram que a Laura e a Maria iriam falar com a Isabel no fim do dia.
Mal saíram, foram ambas a correr ter com a sem-abrigo. Primeiro, esta desconfiou, mas como estava farta daquela vida, aceitou.
A tarefa seguinte foi falar com os adultos. Os pais e os professores acharam a ideia fantástica. Logo ali começou uma onda de solidariedade.
Recolheram muitas coisas: roupa, comida, brinquedos... e tudo foi vendido numa feira que decorreu na própria escola. A Isabel assistiu e até chorou de emoção.
Com o dinheiro amealhado, e depois de encontrarem um lar, colocaram lá a Isabel que agora passa os dias a ensinar crianças a bordar. Sim, é que ela fora uma grande bordadeira e tinha jeito para ensinar.
De vez em quando, nós também íamos lá para aprender. Até os rapazes já bordavam.
Também gostamos de ouvir as suas maravilhosas histórias. Ficámos a saber que foi parar à rua por ter perdido toda a família e o emprego.
Agora, nós éramos a sua família.
No final, todos ficámos mais ricos e mais felizes.

Turma 4º B. EB 1/JI Santa Luzia


Comentários
Por Isabel Carvalho (Professora), em 2012/02/19
Gostei do texto e apreciei o facto de ser um texto coletivo.

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